26 de dezembro de 2010

E se eu parecer desesperada pelo teu amor?

E se ainda te disser, que o teu amor é só um símbolo?

De todas as coisas que preciso, de tudo que me falta.

E se te disser que o desespero é por amor e não por ti?

E de tanto falar, fujo do pensar. Desvio-me no agir.

Porque se parar para analisar, vou negar o que foi dito.

E refazer, revisar, reformular.

Mentindo tudo novamente.

13 de dezembro de 2010

Eu não quero mais esta bagagem.
Esta necessidade inventada,
Como condição, condenação.
Quero aprender com a solidão
E conhecer a multidão que há em mim.

5 de dezembro de 2010

Bebia como se aquele liquido fosse um veneno, uma cura. Em cada gole um suspiro, uma esperança... um momento de cura para todos os males, que ela sequer conhecia, mas sentia.

A embriaguez lhe agradava, ela ria. Uma fuga? Um vício?

“Há vícios que possibilitam virtudes” – ele disse.

E ela acreditou, agarrou-se nesse ideal. Como uma crença religiosa, uma busca pelo divino.

Pensou em como é engraçado o quanto essas contradições lhe fazem sentido.

Como pode amar e sofrer? Ser feliz e chorar?

Sentir a dor do belo, cismar em ver a feiúra.

Mais um cigarro, outro gole!

Na melodia daquela música que não falava sobre angústia, mas refletia esse estado de catarse que representava tão bem seus dias.

Porque excita tanto aquilo que lhe é proibido?

O gosto pela vida perigosa, estar por um fio a cada segundo. Soava como enfrentar o medo, superar a morte. Soava como uma canção intensa, ousada.

Bebeu a ultima dose deste veneno, para dormir como quem morre e sonhar como quem vive.

17 de novembro de 2010

Sentir a dor que pulsa,
Sem desmanchar o nó na garganta.
Da ignorância de outros
pela ma-fé projetada.
Apenas uma palavra,
um instante de compaixão;
Abandono desta solidão.

10 de novembro de 2010

Este azul neon que o céu esconde.
Esta fumaça furta-cor.
Na finitude dos meus dias,
Em todos os sonhos que não cabem mais em mim
O desprazer de ser.
Na aurora daqueles dias
Há cores,
Há luz.
Ainda há esperança
Buscando o esquecimento destas melancolias.
A fuga noutras cores, noutras manias.

6 de outubro de 2010

Desta estranheza que nos cabe,

Sentir-se outro e só.

Neste mar em tempestade, ser a gota que não cai.

Que não vai.

Seguir na potência, esperando pelo ato.

Vendo a possibilidade em cada caminho não percorrido.

Multiplicar-se,

Evaporar...


Quem roubou-nos o fogo doado por Prometeu?
Animais e não Deuses,
Sem almejar mais do que é capaz.
Não ouse imitar o Olimpo.
Da preciosidade que nos coube,
Já não possuímos mais.


1 de outubro de 2010

Tudo me falta

Nada me têm

Brisas mornas de um novo desdém

Um pouco mais.

Como a larva no casulo que não sofre mutação.

Um verme.

30 de setembro de 2010

Nunca mais - disse ela;

E despiu-se de todos os sonhos.

Cansada das ilusões,

Cansada da humanidade e de si.

Dos seus tormentos e de suas paixões.

Há esperança de alguma mudança?

Tudo em vão.

Não há mais no que acreditar,

Até os mais puros, parecem enganar.

Só a dor é real,

Aquilo que ela sente e conhece,

Como jamais conhecerá qualquer pessoa.

Não há beleza além da solidão,

Não há beleza em enganar-se com falsa companhia.

Nunca mais – disse ela;

Sem chorar, sem hesitar.

E jogou-se para a vida, esperando por consumição.

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Talvez, um momento de sensatez,

Nesta loucura cotidiana, vulgar.

Embriaguez fugaz,

O vício da ilusão.

Fria, desonesta, inevitável.

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