30 de setembro de 2010

Nunca mais - disse ela;

E despiu-se de todos os sonhos.

Cansada das ilusões,

Cansada da humanidade e de si.

Dos seus tormentos e de suas paixões.

Há esperança de alguma mudança?

Tudo em vão.

Não há mais no que acreditar,

Até os mais puros, parecem enganar.

Só a dor é real,

Aquilo que ela sente e conhece,

Como jamais conhecerá qualquer pessoa.

Não há beleza além da solidão,

Não há beleza em enganar-se com falsa companhia.

Nunca mais – disse ela;

Sem chorar, sem hesitar.

E jogou-se para a vida, esperando por consumição.

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Talvez, um momento de sensatez,

Nesta loucura cotidiana, vulgar.

Embriaguez fugaz,

O vício da ilusão.

Fria, desonesta, inevitável.

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