5 de dezembro de 2010

Bebia como se aquele liquido fosse um veneno, uma cura. Em cada gole um suspiro, uma esperança... um momento de cura para todos os males, que ela sequer conhecia, mas sentia.

A embriaguez lhe agradava, ela ria. Uma fuga? Um vício?

“Há vícios que possibilitam virtudes” – ele disse.

E ela acreditou, agarrou-se nesse ideal. Como uma crença religiosa, uma busca pelo divino.

Pensou em como é engraçado o quanto essas contradições lhe fazem sentido.

Como pode amar e sofrer? Ser feliz e chorar?

Sentir a dor do belo, cismar em ver a feiúra.

Mais um cigarro, outro gole!

Na melodia daquela música que não falava sobre angústia, mas refletia esse estado de catarse que representava tão bem seus dias.

Porque excita tanto aquilo que lhe é proibido?

O gosto pela vida perigosa, estar por um fio a cada segundo. Soava como enfrentar o medo, superar a morte. Soava como uma canção intensa, ousada.

Bebeu a ultima dose deste veneno, para dormir como quem morre e sonhar como quem vive.

Um comentário:

  1. "E de repente, diante do vazio que se abre como um pátio em branco, todo risco se torna uma maneira de preencher o vazio. Como se com a queda e seu impacto pudéssemos colorir esta alveza nula, colorir o vazio com nosso sangue. Buscamos o perigo para sentir-mos algo... de nós mesmos... mesmo que pela última vez!!!" Cristiano Cerezer

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