A lua estava crescendo como sua alma naquela noite repleta de liberdade. De um brilhante amarelo, como seu vestido. Os paradoxos permaneciam no pensamento, a angustia ainda pulsava, mas no entanto nada disso importava. Aquela sensação de estar presente, só e na companhia do mundo inteiro. Com a melodia, sentindo-se parte da introspecta comunicação entre todas as coisas. E desta completude, a certeza que lhe permanecia é de que quando a lua partir, virá o sol, amarelo como seu vestido, brilhando intensamente como sua alma.
"Nos sentimos muitas vezes entrelaçados com todas as coisas e ao mesmo, na união de fios insuspeitos, nos sentimos este "nó" de individualidade que - uma vez que é "nó górdio" - só um golpe de fatalidade talvez desfaça. Somos invadidos por uma imensa alegria que, por ser excessiva, é sentida como uma dor. É como um orgasmo em que rir e chorar, gritar e contrair-se em silêncio, são parte de uma mesma coisa." CRISTIANO CEREZER
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